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quinta-feira, 31 de março de 2011

Canto Para Michael Jackson de Oswaldo Montenegro


Hoje morreu Peter Pan
Não se sabe do que foi
Vitiligo ou pressa vã
De voltar ao que já foi
Tinha voz de uma criança
Com o sexo de um senhor
Era Deus dançando a dança
De um diabo sedutor

Dizem que não tinha cor
Transparente como a luz
Só queria ser sem dor
Como um Cristo sem a cruz

Peter Pan morreu de moço
Que de velho morre o Gancho
Um jantar antes do almoço
Fez o quadro e eu não desmancho

Tanta gente quer crescer
Mas a fome diz que não
Peter Pan quis inverter
Como sabem, foi em vão

Pinga a chuva arroxeada
De outro príncipe Xamã
Uma antena angustiada
Busca a antena quase irmã

Peter Pan tava famoso
Fez o mundo de quintal
Era triste, desgostoso
Como um Buda no Natal

Era solto e deslocado
Como o barco sem a vela
Coração enclausurado
Era casa sem janela

Se era rei ou se era triste
Eu não sei, sabe ninguém
Ninguém sabe o que existe
Entre o mal, o nada e o bem

Se gostava de criança
E criança é o que ele era
Inventou uma mudança
E mudança a vida gera

Ninguém sabe e todo mundo
Diz que sabe o que não sabe
Diz que o raso é que é profundo
Diz que guarda o que não cabe

Peter Pan morreu de dia
Libertado de um açoite
Que ele mesmo (quem diria)
Punha no seu ombro à noite

Tão humanos são os loucos
Tão divinos os normais
Tão agudos são os roucos
Tão sensíveis os mentais

Só nos resta a madrugada
Com promessas de manhã
Pois a ele resta nada
Acabou-se o Peter Pan

Fica só um jeito torto
Que encantava a todos nós
Michael Jackson ta morto
Está viva a sua voz
Na criança da favela
Que hoje pensa que amanhã
Vai ser nau de caravela

Como foi o Peter Pan
Alguns dizem que era virgem
Outros que era marciano
Que sofria de vertigem
Cá pra nos, ele era humano

Como um rei nunca perde a majestade,
Michael está grifado na eternidade
A voz tranqüila de criança
Transformava-se, nos palcos, em furacão
Quem sabe, a solidão contida
Também levou a morte do ilustre cidadão

Metamorfose do homem,
A qual, o planeta assistiu
Transformações físicas não foram o suficiente
para transformar uma personalidade gentil

Rodeado pelo tudo,
Por vezes, invadido pelo nada
Quando se deparava com manchas de um passado que tanto o machucava

Veterano antes de ser adolescente,
Sentia doer a existência de uma infância ausente
Perfeição, conseqüente da genialidade
Chegar ao extremo, sobrepor-se ao que for
Para aprimorar sua qualidade, rendemo-nos a majestade

Característica de poeta,
Exercer a beleza ao redor
Em si, por um fim, por si só
Normalidade, algo que jamais marcou presença
Ser diferente Peter, sempre foi sua sentença!

Os céus escolheram Jackson para possuir a invencibilidade,
Mas com inveja, ganância e mau caráter
Destruíram o ídolo, reina, desde então, um êxtase de pura saudade
Desce dos palcos alguém que tanto almejava um mundo melhor
Permanece enfim com a paz tão sonhada,
desata-se o nó

É isso, foram os últimos shows, a arte final
Tristes os que ficam, assistindo ao desfecho,
Baixarem-se as cortinas, sentindo a dor incondicional
Conforta, ao menos, pensar que Peter Pan jamais cairá de seu pedestal!

Cala-se O Poeta, O Rei, O Homem, A Lenda, O Mito
O menino grande,
O Escolhido
Num golpe fatal, a vida põe um ponto final em seu destino,
Ou vice- versa
Infelizmente, quem somos nós para dizer que a hora não era essa

Diante dos fatos, o que sei, e só, é,
Michael Joseph Jackson sai de cena,
nunca da memória,
Entrando, para todo o sempre, na história